SEGURANÇA

Golpe do WhatsApp clonado e do falso parente: como reconhecer e reagir

Como o golpe funciona, sinais de alerta, verificação em duas etapas e o que fazer depois de transferir.

Publicado em 6 min de leitura
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Imagem ilustrativa. Foto via Unsplash (Licença Unsplash).

No golpe do WhatsApp clonado ou do falso parente, o criminoso assume a conta de alguém — ou cria um perfil novo com a foto da pessoa — e pede dinheiro aos contatos, normalmente via Pix e com urgência. A mensagem típica diz que o número mudou, que há uma conta para pagar hoje e que o aplicativo do banco “está com problema”.

A defesa mais eficaz é simples: antes de transferir qualquer valor, confirme por outro canal, de preferência uma ligação de voz para o número antigo da pessoa, ou uma pergunta que só ela saberia responder.

As duas versões do golpe

Conta clonada

O criminoso convence a vítima a informar o código de seis dígitos que o WhatsApp envia por SMS ao registrar a conta em outro aparelho. Os pretextos mais comuns são falsas confirmações de cadastro, entregas, pesquisas ou promoções. Com o código, ele passa a controlar a conta e conversa com os contatos como se fosse o dono.

Número novo com foto da vítima

Sem clonar nada, o golpista copia a foto de perfil e manda mensagem de um número desconhecido: “Oi, mãe, troquei de número, salva esse”. Esta versão é ainda mais comum, porque não exige nenhuma ação da pessoa que teve a foto usada.

Sinais de alerta

  • Pedido de dinheiro com urgência, logo nas primeiras mensagens.
  • Justificativa para não poder ligar (“estou sem microfone”, “em reunião”).
  • Conta de destino em nome de terceiro desconhecido.
  • Mudança no jeito de escrever, apelidos errados, pontuação diferente.
  • Pedido para não comentar com outros familiares.

Como proteger a sua conta

Ative a verificação em duas etapas do WhatsApp: ela cria um PIN de seis dígitos que o aplicativo pede ao registrar o número em outro aparelho. Mesmo que alguém obtenha o código do SMS, não consegue concluir a troca sem o PIN.

  • Nunca informe códigos recebidos por SMS, mesmo para quem diz ser de empresa conhecida.
  • Restrinja a visibilidade da foto de perfil a “meus contatos”.
  • Desconfie de ligações que pedem para “confirmar” códigos.
  • Defina limites menores para Pix noturno e para novos destinatários no aplicativo do banco.
  • Mantenha o e-mail de recuperação cadastrado no WhatsApp.

Fiz a transferência. O que fazer

  • Ligue imediatamente para o seu banco, informe que foi golpe e peça a abertura de contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. Anote o protocolo.
  • Registre boletim de ocorrência (em muitos estados, pela delegacia eletrônica).
  • Avise a pessoa que teve o perfil usado, para que ela alerte os demais contatos.
  • Guarde capturas de tela das conversas, o número usado e o comprovante.

O MED permite que a instituição do pagador peça o bloqueio e a devolução do valor na conta de destino. A devolução depende de haver saldo, por isso a rapidez é decisiva. Mais informações na página Pix — Banco Central.

Minha conta foi clonada. O que fazer

  • Reinstale o WhatsApp e registre seu número de novo: ao receber o código, você retoma a conta e o invasor é desconectado.
  • Ative a verificação em duas etapas assim que recuperar o acesso.
  • Avise seus contatos por outro canal (outra rede social, ligação) de que não deve haver nenhum pedido de dinheiro.
  • Se não conseguir recuperar, escreva para o suporte do WhatsApp pelo próprio aplicativo ou pelo e-mail informado na central de ajuda, explicando a situação.

O que diz a lei

A Lei 14.155/2021 incluiu no Código Penal o crime de fraude eletrônica, com pena de reclusão de 4 a 8 anos, além de multa, quando a fraude é cometida com uso de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzidos a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou mensagens. O registro da ocorrência ajuda a investigação e serve de base para pedidos junto ao banco.

Variações que circulam

  • Falso funcionário de banco ou operadora que liga pedindo para “confirmar” um código recebido por SMS.
  • Falsa entrega ou pesquisa que pede um código para “validar” o cadastro.
  • Falso parente que pede para pagar um boleto ou uma conta “porque o app não está funcionando”.
  • Perfil com foto de um gerente ou colega de trabalho pedindo um Pix urgente para um fornecedor.

Exemplo de abordagem

Uma mensagem chega de um número desconhecido com a foto da filha: “Mãe, meu celular quebrou, esse é meu número novo. Preciso pagar uma conta hoje, você faz um Pix e eu te devolvo amanhã?”. Em seguida vem a chave Pix, em nome de uma pessoa que a mãe não conhece. A atitude correta é não responder ao pedido, ligar para o número antigo da filha ou para alguém próximo dela e só depois decidir. Na grande maioria dos casos, a ligação desfaz o golpe em um minuto.

Como orientar familiares mais velhos

  • Combine uma palavra-chave da família para pedidos de dinheiro.
  • Explique que o banco e o WhatsApp nunca pedem código por telefone.
  • Ajude a ativar a verificação em duas etapas no aparelho deles.
  • Configure limites menores de Pix no aplicativo do banco.
  • Deixe claro que é sempre melhor ligar e perguntar, mesmo que pareça desconfiança.

Áudios e vídeos falsos

Ferramentas de inteligência artificial permitem imitar vozes a partir de poucos segundos de áudio publicado nas redes. Um áudio curto, com a voz parecida com a de um parente, pedindo dinheiro com urgência, não é prova de identidade. Mantenha a regra de confirmar por ligação no número conhecido ou por uma pergunta que só a pessoa saberia responder.

Perguntas frequentes

O banco é obrigado a devolver o dinheiro?

Não automaticamente. Quando o cliente fez a transferência por vontade própria, ainda que enganado, a devolução depende do MED e do saldo disponível. Se houver falha do banco — por exemplo, conta de destino aberta com documentos falsos —, a responsabilidade pode ser discutida, inclusive com apoio do Procon ou da Defensoria.

Vale denunciar o número do golpista?

Sim. No próprio WhatsApp, use a opção de denunciar o contato. Isso ajuda a bloquear a conta usada no golpe.

Se o seu perfil foi usado sem clonagem

Quando o golpista usa um número novo com a sua foto, a sua conta não foi invadida, mas seus contatos estão sendo enganados em seu nome. Avise rapidamente família, amigos e colegas por um canal em que você é reconhecido, como uma publicação em rede social ou um grupo já existente, dizendo que não trocou de número e que não pede dinheiro por mensagem. Denuncie o número falso no próprio WhatsApp e peça aos contatos que façam o mesmo. Se alguém transferir dinheiro, oriente a pessoa a acionar o banco imediatamente e registrar boletim de ocorrência; você pode registrar também, informando o uso indevido da sua imagem.

Resumo

Confirme por voz antes de qualquer transferência pedida por mensagem, nunca repasse códigos de SMS e ative a verificação em duas etapas. Se cair no golpe, acione o banco imediatamente pelo MED e registre boletim de ocorrência.

Leia também: golpes envolvendo Pix e como identificar boleto falso.

Fontes consultadas

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