FGC: como funciona a proteção dos seus investimentos
O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF e instituição. Saiba o que está incluso e o que fica de fora.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma das proteções mais importantes do investidor brasileiro em renda fixa — e uma das mais mal compreendidas. Saber exatamente o que está coberto, até quanto e em que situações pode evitar perdas relevantes em caso de problema com uma instituição financeira.
O que é o FGC e como funciona
O FGC é uma associação civil sem fins lucrativos, mantida pelas próprias instituições financeiras associadas, que garante o pagamento de depósitos e investimentos em caso de intervenção, liquidação extrajudicial ou falência da instituição. Foi criado em 1995 e é regulado pelo Banco Central.
Limites de cobertura em 2026
- R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira (ou conglomerado).
- Teto global de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos consecutivos.
- Cobertura inclui principal investido + juros acumulados até a data do evento.
- Conta conjunta: o limite é dividido entre os titulares (50% para cada).
- Funciona automaticamente — não exige solicitação prévia.
O que está coberto
- Depósitos à vista (conta corrente) e poupança.
- CDB (Certificado de Depósito Bancário).
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).
- LC (Letra de Câmbio).
- LH (Letra Hipotecária) e LIG (Letra Imobiliária Garantida) — esta última tem garantia adicional.
- Operações compromissadas com lastro em títulos emitidos por empresa ligada.
O que NÃO está coberto
- Fundos de investimento (têm CNPJ próprio e patrimônio separado).
- Ações, debêntures, CRI, CRA e cotas de FIIs.
- Criptoativos e contas em corretoras de cripto.
- Tesouro Direto (tem garantia direta do Tesouro Nacional — risco soberano).
- Previdência privada (PGBL/VGBL) — regulada pela Susep, sem cobertura do FGC.
- Investimentos em corretoras estrangeiras.
Como o pagamento acontece em caso de problema
Quando o Banco Central decreta intervenção ou liquidação, o FGC é acionado e tem prazo legal para iniciar pagamentos. Historicamente, o pagamento ocorre em semanas, não meses. O investidor não precisa correr nem contratar advogado — basta acompanhar comunicados oficiais do FGC e do liquidante nomeado.
Como verificar se o produto tem cobertura
Antes de aplicar, confirme na lâmina ou no extrato se o produto é coberto pelo FGC. Em CDBs e LCI/LCA, essa informação é destacada. Em fundos, NÃO há cobertura — o que existe é a segregação patrimonial: o dinheiro do fundo é separado do patrimônio do gestor.
Atenção aos 'bancos pequenos com taxas altas'
FGCoop: o garantidor das cooperativas
Para cooperativas de crédito, o garantidor é o FGCoop, com regras semelhantes às do FGC. Verifique a qual sistema sua instituição pertence antes de aplicar.
Limite global: o detalhe que muita gente esquece
Os R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos são contados desde o primeiro acionamento. Se uma instituição quebrar e você receber R$ 250 mil, esse valor é abatido do teto global pelos 4 anos seguintes. Para grandes patrimônios, vale considerar essa janela ao montar o portfólio.
Fontes consultadas
- FGC — regras, lista de produtos cobertos e procedimentos
- FGCoop — garantidor de cooperativas
- Banco Central — regulação prudencial das instituições financeiras
- Tesouro Direto — garantia soberana dos títulos públicos
Atualizado em junho de 2026. Limites e regras do FGC podem ser revisados pelo CMN — confira no site oficial antes de aplicar.
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