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Como escolher o melhor cartão de crédito para seu perfil

Anuidade, benefícios, programa de pontos e limite oferecido devem ser avaliados em conjunto com seu uso real.

Publicado em 01 de abril de 2026 10 min de leitura
Como escolher o melhor cartão de crédito para seu perfil
Foto: Unsplash / banco de imagens

Escolher um cartão de crédito vai muito além de comparar anuidade e programa de pontos. O cartão é um produto financeiro regulado pelo Banco Central, com modalidades de juros — rotativo, parcelamento da fatura, saque — que custam caro quando mal compreendidas. Este guia explica o que olhar antes de aceitar a oferta, as regras vigentes e como evitar as armadilhas mais comuns.

Tipos de cartão e para que serve cada um

  • Cartão de crédito — permite parcelar e pagar a fatura no mês seguinte; entra em rotativo se a fatura não for paga integralmente.
  • Cartão de débito — desconta na hora do saldo em conta; sem juros, mas exige saldo disponível.
  • Cartão pré-pago — funciona com saldo carregado previamente; útil para controle e para quem não tem conta bancária.
  • Cartão consignado — desconto direto em folha de pagamento; taxas geralmente menores, mas só disponível para servidores, aposentados e empregados de empresas conveniadas.
  • Cartão alimentação/refeição (VR/VA) — regulado por norma específica do Ministério do Trabalho; uso restrito a estabelecimentos credenciados.
  • Cartão empresarial (PJ) — para gastos de pessoa jurídica, com regras de contabilidade próprias.

Componentes do custo de um cartão de crédito

Avalie cada item antes de aceitar a proposta:

  • Anuidade — pode ser fixa, condicional (isenta com gasto mínimo) ou totalmente isenta; cartões "sem anuidade" geralmente cobram tarifas em outros pontos.
  • Juros do rotativo — limitados a 100% sobre o valor original pela Resolução BCB 96/2021, mas ainda são a modalidade mais cara do mercado.
  • Juros do parcelamento da fatura — opção oferecida quando você não quer entrar no rotativo; cobre por escrito o CET antes de aceitar.
  • Tarifa de saque com cartão — geralmente alta; evite usar cartão para saque.
  • Tarifa de segunda via — verifique a política do emissor.
  • Seguros embutidos (proteção, viagem) — confirme se são opcionais; recusar é direito do consumidor.
  • IOF — incidente sobre operações de crédito; em compras internacionais, é mais alto.

As duas resoluções do Banco Central que mais importam

Duas normas estruturam o mercado de cartão de crédito no Brasil:

  • Resolução CMN 4.549/2017 — limita o uso do rotativo a 30 dias. Após esse prazo, o saldo deve ser parcelado em condições mais favoráveis (parcelamento da fatura).
  • Resolução BCB 96/2021 — em vigor desde janeiro de 2024, limita os juros e encargos do rotativo a 100% sobre o valor original da dívida. Ou seja: o valor cobrado de juros e multas não pode ultrapassar o valor da dívida em si.

Programas de pontos e milhas: o que realmente importa

Programas de recompensa parecem vantagem, mas raramente compensam quando comparados ao custo total do cartão. Antes de escolher por pontos:

  • Calcule o valor real do ponto (geralmente 1 a 3 centavos cada).
  • Compare com a anuidade anual: pontos só compensam se o resgate cobrir a anuidade com folga.
  • Verifique a validade dos pontos (alguns expiram em 24 meses).
  • Confirme se a conversão para milhas é vantajosa para o seu perfil de viagem.
  • Atenção a programas que exigem gasto mínimo mensal para manter benefícios.

Cartões de marca própria e cartões de loja

Cartões emitidos por varejistas ("cartão da loja X") geralmente têm taxas mais altas que cartões bancários tradicionais e funcionam apenas na rede da loja. Vantagens podem incluir descontos exclusivos, mas comparar sempre o CET de parcelamentos é essencial — alguns chegam a CET superior a 15% ao mês.

Perguntas frequentes

Pagar só o mínimo da fatura é sempre ruim?

Sim, na prática. Pagar o mínimo aciona o rotativo, que mesmo com o teto da Resolução BCB 96/2021 é a modalidade mais cara do mercado. Se não conseguir pagar a fatura integralmente, peça o parcelamento da fatura ANTES do vencimento — costuma ter CET menor que o rotativo.

Cartão sem anuidade é sempre melhor?

Nem sempre. Cartões sem anuidade costumam ter programas de pontos mais fracos, limites menores e podem cobrar tarifas em outras operações. Para uso intenso, anuidade compensada por benefícios pode valer mais.

Posso cancelar cartão sem motivo?

Sim, é direito do consumidor garantido pelo Código de Defesa do Consumidor. O cancelamento deve ser solicitado pelo canal oficial do emissor e a confirmação por escrito (e-mail ou aplicativo). Antes de cancelar, quite ou parcele saldos pendentes para evitar complicações.

O que é o cartão de crédito consignado?

Modalidade em que parte da fatura é descontada diretamente em folha de pagamento ou benefício. Taxas costumam ser menores que cartão tradicional, mas o limite é vinculado à margem consignável e o cancelamento pode ser mais burocrático.

Posso questionar tarifa que não autorizei?

Sim. Cobranças não autorizadas devem ser contestadas pelo aplicativo do banco ou central de atendimento. Se a empresa não resolver em 10 dias, registre reclamação no Procon, no Banco Central pelo 145 e no consumidor.gov.br.

Fontes consultadas

Dados verificados em junho de 2026. Conteúdo regulatório e econômico muda com frequência. Se identificar informação desatualizada, escreva para contato@newscredito.com.

Crédito da imagem: Foto via Unsplash (licença gratuita).

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